8 trechos de amor e ódio em Grande Sertão: Veredas que são pura poesia

Dispenso apresentações, não é? Grande Sertão, Guimarães Rosa, Riobaldo, Diadorim…

O bom é que estava relendo alguns trechos destacados nessas páginas de veredas e notei que Guimarães Rosa tece uma filosofia incrível sobre amor e ódio. Melhor ainda: o amor é sempre maior e mais forte nessa dualidade – mesmo entre as guerras dos bandos, mesmo entre acordos sociais de jagunços.

Claro que essa é só uma pequeniníssima parte de toda a filosofia exposta no romance-mor, mas é sempre bom enxergar os pormenores, esse é um caminho para sentir a poesia, um caminho pro descanso na loucura.

A gente tem de necessitar de aumentar a cabeça para o total.

“O mal ou o bem, estão é em quem faz; não é no efeito que dão.”

Tudo está dentro de nós, inclusive o amor e o ódio.

“Diz-que-direi ao senhor o que nem tanto é sabido: sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na ideia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas.”

O pensamento, a ideia, ajuda a nossa vontade de amor. Mas tem aquele amor que acontece porque é destino.

Gente, o que é maior que o miúdo? Muita coisa importante falta nome. E Guimarães Rosa mostra isso muito bem em Grande Sertão: Veredas.

“Não sabe que quem é mesmo inteirado valente, no coração, esse também não pode deixar de ser bom?!”

A contradição que nos habita.

“Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho que Zé Bebelo um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é.”

Raiva pra quê? Não sejamos bobos, bom é o amor.

“Ah, meu senhor! – como se o obedecer do amor não fosse sempre ao contrário…”

Será a luta entre razão e emoção?

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe.”

Me dá qualquer amor que eu preciso descansar.

“Demediu minha ideia: o ódio – é a gente se lembrar do que não deve-de; amor é a gente querendo achar o que é da gente.”

Já pensou se não existisse o ódio? A gente ia viver fazendo o que não deveria, sem nem dar conta disso.

Homem com homem, de mãos dadas, só se a valentia deles for enorme. Aparecia que nós dois já estávamos cavalhando lado a lado, par a par, a vai-a-vida inteira. Que: coragem – é o que o coração bate; se não, bate falso.

Precisamos mesmo de coragem pra seguir o coração. Lembrando que aqui é Riobaldo falando do seu amor crescente por Diadorim, uma mulher que ele acreditava ser homem.

No fim dessa dualidade sertaneja, amemos.

Amém.

Comente aqui