Sopro de volta

Meu espírito nem sempre leve
Me levou…

Eu pisava em areia branca
Girava por dunas gigantes
Que antes
Nem estavam ali
E logo estariam acolá.

Banhava no mar, querendo beber
a água tão viva, falando de luz
Advertindo sal.

Depois descansava no colo
d’um coqueiro feito sol verde
Junto: o moço mais bonito
de tão morena que eu era
dourada linda da terra.

Meu espírito leve, me levou.
Eu sou a praia.

Sou a praia agora tão longe
da praia.
Sou a praia vazia
Coberta de homens
Que também a são.

Concluo eu castigo, então?
Beberão meus filhos um peixe?

Eu nada sei.
Só sei que sou homem
Mas não, eu não quero ir,
O que eu quero é só voltar.

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