Por ser musa

Uma câmera, mesmo qualquer
Extensão do teu corpo sensível.
Membro artifício de arte
Em tuas mãos.

Teu olho, agora lente olhar
Vem chamar o mesmo silêncio
De chegar as palavras.

A praia vazia, a duna, o fim do dia.
O banho de lua, banheiro, corpo nu.
Cabelos na dança do vento.
Janela pintada, branca madeira.
Sol. Mar e fogueira.
Os segundos planos.

Eu, tua musa, de costas
E tu encostas tua fotografia

No silêncio barulho de mar
Trem de nuvens no céu.
A lente olhar em meu pescoço
Me roça o teu nariz,
Faz frio em minha nuca.

E fico parada, fico calada,
A escutar… o delicioso som
De teus decisivos momentos.

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